
Corey Taylor, em entrevista recente para Rick Florino do ARTISTdirect.com, num dia ensolarado em San Fernando Valley, fala sobre os últimos festivais do Slipknot no ano, sobre o poder positivo do metal, os estalidos de horror favoritos de Corey, entre outras coisas.
Confira abaixo a tradução do divertido papo entre os dois:
Foi muito divertido ver você no palco com o The Junk Beer Kidnap Band com Steel Panther. Havia muita liberdade no palco, e sentia como se você estivesse em casa tocando essas músicas. Ao mesmo tempo, as letras pra “Kansas” são bem pessoas. Você se sente como se estivesse tendo mais introspectiva com suas composições?
Corey: Um pouco! Muitas pessoas não percebem que eu escrevo toneladas de coisas de qualquer jeito. Eu escrevo músicas como “Kansas” desde que eu tinha 12 anos de idade. Está chegando ao ponto que eu tenho que pegar essas músicas lá fora. Se eu me sufocar, eu não vou ser capaz de viver e respirar isso. Eu não posso ser apenas o cara raivoso no Slipknot ou o cara sombrio no Stone Sour. As pessoas têm que ouvir as outras músicas porque é uma grande parte da história. Até onde as letras vão, é simplesmente uma dessas músicas padrões, otimistas de amor. Se as pessoas não podem aguentar isso, então eles não conseguem me ter começando. Eu não me preocupo mesmo com isso. Eu acho que as letras são exatamente o que eles precisam para ser uma música. Se eu estivesse tocando algum teclado e eu estivesse cantando, “Eu sou sombrio, e eu tenho que ser vadio,” não viria fora do real. [Risadas].Corey: Ah sim, com certeza! Você pode compartimentalizar um pouco melhor. Você não se afia apenas em uma coisa e sente como se isso te definisse. Eu conheço muitos caras que ficam apenas em uma dimensão porque eles apenas existem naquele plano. Apesar de ficar mais velho, você sente mais como se conseguisse entender a você mesmo – você conhece suas limitações, limites e você sabe o quão longe você agarrar isso. A escuridão vem quando você percebe que há muitas linhas que você pode atravessar. É realmente isso até onde vem. Quanto mais você se conhece, mais você chega lá. Eu acho que é por isso que fica mais fácil pra mim fazer aquilo.
Com o Junk Beer Kidnap Band, as pessoas tem mais de você na música. Eles tem a oportunidade de experimentar cada face de você – o pai, o sozinho, o artista, o músico e tudo o mais. É isso que você quer que as pessoas vejam?
Corey: Definitivamente… ninguém é apenas de um jeito. Todo mundo tem várias faces e várias dimensões. Eu não quero ser aquele pedaço de papelão de estrela do rock. Eu nunca quis e nunca vou querer. Eu quero ser o cara que quer ter tudo isso. Eu quero ser David Bowie. Eu quero ser Trent Reznor. São essas as coisas que eu me aspirei em ser. No fim do dia, eu somente quero ser um grande compositor que não tem medo quando isso se torna naquelas coisas. Quanto mais velho eu fico, melhor minhas composições ficam – mais riscos eu tomo e digo mais do que eu já disse no passado.Eu cresci com vocês. Eu tinha 14 anos quando o primeiro cd saiu.
Corey: Oh meu Deus, vocês estão me matando. (Risos)Obrigado! Sua mensagem, com o Slipknot, é extremamente poderosa, os garotos podem tirar algo positivo de tudo que você diz no palco. Quando você pode passar alguma coisa que as pessoas possam pegar e transformar em algo delas mesmas, essa é a marca de um artista de verdade.
Corey: Bom, é a honestidade. Eu conheço um monte de caras que ficam muito hip-hip-hooray e no final é falso. Minha mensagem sempre foi “você pode ser o que quiser, mas tem que trabalhar pra isso”. Um homem é tão forte quanto os fracassos que o fizeram chegar onde ele está. Pra mim, um fracasso é um triunfo mal direcionado; você tem que aprender com tudo, então um fracasso não é um fracasso. Você só falha se isso o impede de crescer; se você continuar indo, então você não perdeu nada.
Essa é a mentalidade que os jovens precisam ter hoje em dia. Somos uma geração de divórcios, problemas com drogas, alcoolismo e pais solteiros... Corey: E pais ausentes...
Os jovens precisam de algo em que acreditar, e você tem dado isso pra eles com cada música sua.Corey: Eu espero, cara. Eu me lembro de querer muito isso quando era mais novo; nós não tivemos muito disso, muitas bandas estavam tão ocupadas com elas mesmas e realmente queriam passar a idéia de “Ei, esse estilo de vida é fantástico e eu preciso vivê-lo!”, ou era o extremo oposto, eles diziam “Oh, esse estilo de vida é péssimo, é tão terrível, é péssimo.”
Você era um David Lee Roth ou um Kurt Cobain.
Corey: Exatamente! E eu ficava vendo os dois lados, pensando: “Tem que ter um meio termo” e felizmente, eu o encontrei. Eu não tinha medo de dizer nada, mesmo quando as pessoas me diziam “Você não pode falar assim”, eu dizia “por que não?”, “ninguém fala assim” e eu “só por que ninguém fala, significa que eu não posso falar? Dane-se! Pra tudo tem uma primeira vez”. Sempre tentei encorajar a todos a ser o que quisessem. É como você disse – nos dias de hoje, quando pais “normais” podem ser o mais anormais possível, de onde você vai tirar isso? Com certeza não dos professores e nem dos seus amigos, por que eles estão tão fodidos como você. Se seus pais te ensinarem, Deus te abençoe, por que muitos outros não aprenderão assim. Por que então não ser esse cara? Não sair e dizer que as pessoas têm potencial? Atualmente, a esperança é perdida tão facilmente quanto dinheiro.
No seu show no Fangoria "Trinity of Terrors", no Halloween, você vai estar convivendo com muitos tipos de cultura – filmes de terror, heavy metal e arte dark. Quão empolgante é isso?
Corey: Eu estou super empolgado! Você me conhece, sou um viciado em horror, quadrinhos e action figures. Quando eu vi a lista das pessoas que iriam participar do Fangoria, eu fiquei maluco! Nós temos todo mundo, de Richard Christy do Death a Tom Savini, e teremos também Fairuza Balk e Malcolm McDowell! Estou no céu dos viciados agora! Tem alguns filmes muito bons que vão passar, tenho falado do The Fourth Kind há um mês, o filme é fantástico. House of the Devil vai ser muito legal. Dead Air parece fantástico, algo muito especial e que nunca foi feito em Las Vegas. Esperamos que seja uma das maiores coisas já feitas pelo Fangoria e por nós mesmos. Nós estaremos tocando no Halloween, é vitória na certa!
O "Trinity of Terrors" permite aos fãs imergirem em múltiplas facetas da cultura. Ele mostra que você pode ser parte da indústria do entretenimento de muitas maneiras.
Corey: Você pode ser o que quiser. Eu sou prova viva. Só o fato de eu ter uma carreira deveria provar que tudo é possível.
eram seus filmes de terror preferidos quando estava crescendo?
Corey: Todos os clássicos, como Halloween e o Night of The Living Dead (original)... Eu não era muito fã de filmes como Nightmare on Elm Street, mas eu assisti por que eram legais. Eu amo tudo que vai dos clássicos aos momentos, em certos filmes, que me assustaram até o último. Tem um momento no Exorcista III que, de verdade, me assustou tanto que eu tive que ir embora da casa do meu amigo.
Sério?
Corey: Eu tive que ir pra casa! Não consegui aguentar, eu enlouqueci, não deu. Foi uma daquelas coisas que eu não esperava que acontecesse, então quando aconteceu eu me enchi e fui embora. Eu não aguentei. Eu sempre achei que aquele horror e metal era um par perfeito. Eu lembro de quando estava na casa do Josh Rand (guitarrista do Stone Sour) e a gente se conhece desde criança, eu estava dormindo no chão dele porque tinha sido despejado. Ele tinha comprado o vinil do Slayer "Hell Awaits", enquanto nós ouvíamos ele disse "Olha isso!" Sabe no começo do Hell Awaits quando tem aquelas mensagens subliminares? Nós tocamos ao contrário e dizia "Junte-se nós, Junte-se a nós, Junte-se a nós" e eu fiquei impressionado e com arrepios só de pensar. Eu tive que ir comprar cigarros às duas da manhã, e fiquei com aquele "Junte-se nós, Junte-se a nós, Junte-se a nós" na cabeça e fiquei assustado cara! Momentos assim são perfeitos pra filmes, bobos ou não, tipo "Trick Or Treat". Eu amo aquele filme! Foi um filme fantástico. "From Dust Till Dawn" é um dos meus preferidos de todos os tempos, de todos os gêneros! "Eles parecem psicopatas? É isso que eles parecem? Eles eram vampiros! Psicopatas não explodem quando a luz do sol os atinge! Não me importa o quanto são malucos!" (Risos) As melhores frases do planeta estão nesse filme.
A abertura daquele filme no posto de gasolina foi incrível também!
Corey: Genial cara! Tom Savini é o "Sex Machine." Eu adorei!
E o Tom vai estar no "Trinity of Terrors" vendo o Slipknot
Corey: Eu estou muito feliz! Mal posso esperar. Espero que possa conhece-lo, vai ter tanta gente legal lá. Chris Jericho do WWE (World Wrestling Entertainment) vai estar lá na sexta feira; Eu sou um nerd com essas coisas, toda noite eu vou dormir com um sorriso no rosto, mal posso esperar!
Me fale sobre o Smokeout Festival do Cypress Hill, que é no fim de semana anterior ao "Trinity of Terrors"
Corey: Dá ultima vez que alguém fez aquilo além do Cypress, foi o Snoop Dog. Isso é novo pra gente. Recebemos o convite e é uma coisa diferente. Você pode não imaginar o Slipknot no Smokeout. Nós não temos muitos fãs que fumam maconha (Risos). Nós não gritamos "Drogas!". Mas acho muito legal, acho que vai juntar muita gente legal, e o Cypress é muto bom.
É um evento que reúne culturas diferentes, similar os festivais dos anos 60. O Smokeout e o Trinity of Terror não são tão diferentes assim.
Corey: Exatamente! Eu conheço o B Real e o Sen Dog faz muito tempo. O Deftones vai estar lá também e vai fazer parte disso com a gente. Eu estou muito feliz sobre isso! Me sinto muito bem, só temos três semanas até o próximo show, então vamos ver o que acontece.
Se sua vida fosse um filme, qual seria?
Corey: Gummo! Esse seria meu filme - pelo menos os primeiros quinze anos da minha vida seriam assim. Eu não posso ver esse filme, eu assisti durante um mês inteiro quando estávamos gravando o primeiro álbum do Slipknot porque tinha acabado de sair, e não posso assistir de novo, me assusta. Você não imagina como aquilo reflete o jeito que eu cresci em Waterloo, Iowa - brutal. Então eu não posso ver. Nunca atirei em uma galinha com uma arma ou coisas do tipo, mas todas as pessoas naquele filme, parecem com alguém que eu conheço. A maioria delas está morta, então é difícil pra mim assistir. Minha vida agora... não sei que filme seria. Espero que meu filme termine como o The Dark Knight, bom, talvez não como o The Dark Knight. O que é algo muito legal?
Gigle!
Corey: Ok, então vai ser esse. Eu vou ser o Ben Affleck, e você vai ser a J. Lo?
Claro
Corey: Rick...
Eles tem que te colocar no filme Preacher!
Corey: Sério? Eu faria, pode acreditar. Eu adoraria fazer o papel de Cassidy - ou raspar minha cabeça e ser o Herr Starr. Adoraria ser o vilão porque poderia ter aquele olho de vidro super legal. Obviamente eu poderia usar os chapéus. Isso seria muito legal! Adoraria ser aquele cara. Eu poderia ter meu calibre 357 e falar "Doom cock, doom cock!" Vocês precisam ler os quadrinhos crianças! Preacher é o melhor quadrinho de todos!
O melhor!
Corey: Depois do Transmetropolitan! Se eles fizerem um filme dele, eu quero ser o Spider Jerusalem!


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